Extremos do sexo: aversão, compulsão e carência

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Com a excessiva exposição do sexo nos meios de comunicação, há quase que uma crença generalizada de que todas as pessoas (tanto homens como mulheres) são fanáticas por sexo. Mas não é bem assim. Na verdade, a alta complexidade do ser humano leva à existência de perfis muito mais diversificados do que se possa imaginar.

Daria para acreditar que uma pessoa possa chegar aos 40 anos de idade sem ter vontade alguma de manter relações sexuais? Talvez a expressão exata não seja “falta de vontade”, mas um termo mais forte: aversão.

E há o extremo oposto: um transtorno obsessivo conhecido como compulsão sexual, em que a pessoa “não tira o sexo da cabeça”, o que não significa exatamente excesso de libido, mas simplesmente o gasto excessivo de energia pensando em sexo e imaginando os meios como realizar o ato sexual.

Essa compulsão, em alguns casos, conforme já frisado, nem sempre é acompanhada da energia sexual correspondente, ou seja, muitas vezes a pessoa nem está tomada por uma dose de excitação, mas não consegue parar de pensar em sexo.

Isso acaba por interferir na vida social, profissional e familiar, além de acarretar, em alguns casos, vergonha e culpa, pois muitas vezes, em razão dessa compulsão, a pessoa é levada a ter muitos parceiros ou parceiras sexuais, trazendo transtorno ao seu relacionamento conjugal.

E como tudo na vida, há o meio termo: as pessoas ditas “normais”, em que o desejo sexual está em equilíbrio, mas que não conseguem relacionamentos amorosos que as satisfaçam ou na frequência com que desejam (mesmo que essa frequência não seja exagerada). Segundo pesquisas recentes, até o rendimento no trabalho pode ser prejudicado por essa circunstância.

Das três situações, a primeira é a de mais alta complexidade em termos de tratamento, embora haja efetivamente soluções terapêuticas para a questão.

O chamado Transtorno de Aversão Sexual tem raízes profundas, originadas principalmente na infância. O Portal G1 abordou recentemente o caso de um rapaz que chegou a tentar o suicídio em consequência do distúrbio. Indo à origem do problema, descobriu-se que ele conviveu com uma mãe alcoólatra e devassa.

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A mãe do rapaz flertava frequentemente com os amigos do filho e tinha sido infiel ao marido por várias vezes. Quando ele tinha 12 anos, seu pai cometeu suicídio. Em algumas ocasiões a mãe tinha tentado seduzir o próprio filho – ou seja, o paciente em questão.

O caso – relata a reportagem do G1 – foi incluído em um relatório feito pelo especialista americano Patrick Carnes, autor de vários livros sobre transtornos sexuais.

“O trabalho identificou, entre pacientes diagnosticados com o Transtorno da Aversão Sexual, alguns pontos em comum. Por exemplo, eles tinham históricos de depressão, além de terem sofrido tipos específicos de abuso. A aversão estaria relacionada a ‘experiências traumáticas na infância, famílias desestruturadas, agressões na vida adulta, exposição a sistemas educacionais e morais restritivos e com visão negativa da sexualidade, o que gera medo e repulsa na pessoa’, disse à BBC Modesto Rey, ginecologista da Sociedad Española de Contracepción.

Esse transtorno faz com que a pessoa sinta asco ou repulsa pela simples ideia do ato sexual e também pode fazer surgir a sensação de medo.

Numa situação dessas, é esperado prever-se que o indivíduo entre em depressão, o que pode, por sua vez, levar ao suicídio. Mas há terapias e tratamentos, inclusive com o uso de medicamentos, que podem levar a uma solução satisfatória, embora sempre destacando que esses tratamentos podem ser muito prolongados. Frise-se ainda que esse distúrbio pode acometer tanto homens como mulheres.

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O ato sexual traz benefícios não só à mente como ao corpo, influenciando positivamente na saúde. Mas todos sabemos que os extremos sempre exigem atenção e cuidados.

Em contraposição à aversão, há os casos de compulsão sexual, quando a pessoa não mantém controle sobre o seu desejo. Isso leva inclusive a gastos financeiros excessivos em razão desse descontrole, na busca da satisfação dos impulsos sexuais e de todos os rituais e fantasias que os envolvem. Uma das características, ainda, é a dificuldade dessas pessoas em manter um único parceiro ou parceira.

Novamente temos um caso em que há tratamento. A psicoterapia é uma das opções, mas, levando-se em conta a diversidade de terapias alternativas hoje existentes, há outras formas de ajuda que podem ser buscadas.

 Conforme se verifica, por mais que se tente ignorar, a sexualidade exerce grande influência na vida de todos nós.

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Episódios da infância escondidos em nosso subconsciente, que exigem terapias para serem identificados, podem acarretar distúrbios de alta complexidade. O maior sofrimento, no caso desses distúrbios mais sérios, é que, regra geral, a pessoa não sabe identificar sua origem.

A sociedade hoje está dominada por uma série de episódios em que essas situações afloram, muitas vezes com sérias consequências. Isso é agravado pelo alto grau de desinformação sobre sexo e sexualidade humana, que pode agravar esse sofrimento e levar a uma situação aflitiva.

Mesmo os casos em que as pessoas não padecem nem de aversão nem de compulsão podem envolver questões psicológicas, devido ao surgimento de sintomas como complexo de rejeição ou dificuldades de relacionamento decorrentes de experiências pessoais frustrantes, desgastantes ou mesmo avassaladoras.

Há muitos mitos e inverdades em torno da sexualidade e da dificuldade de manter relacionamentos sadios. Felizmente, surgem a cada dia novas alternativas de ajuda, sendo fundamental manter-se informado (a) em busca dessas soluções.

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