Criança tem quer ser feliz para se tornar um adulto feliz

Este site e o Canal Recado Secreto, como todos nós sabemos, são direcionados ao público adulto. Mas são os adultos que, normalmente, têm filhos. E nossa plataforma trata de comportamento. Portanto, cabe perfeitamente lembrar aos pais que criança tem quer ser feliz para se tornar um adulto feliz.

Pode ter certeza de que muitos vão estranhar isto que estou dizendo. Mas estamos diante de uma verdade: é imenso o número de pessoas que não acreditam que criança tem quer ser feliz para se tornar um adulto feliz. Ou de pessoas que não convivem com as crianças de modo a direcionar o seu próprio comportamento para fazer valer essa máxima da maior importância.

(Artigo complementar ao final deste post)

Criança tem quer ser feliz para se tornar um adulto feliz

História verdadeira de mulher que não acreditava que criança tem quer ser feliz

Há algum tempo eu fiz a revisão, a pedido de um amigo, do livro que ele escreveu sobre um caso muito triste. Ele se separou da mulher porque simplesmente não suportava mais as atitudes de ciúme francamente doentias dela, que desconfiava de tudo a ponto de vigiá-lo o tempo inteiro.

E as desconfianças chegavam a níveis absurdos, francamente insuportáveis. Como a de imaginar que ele sempre estivesse com outra mulher que nem sequer estava na mesma cidade.

O lado triste da história é que ele tinha filhas pequenas e a mãe delas, ressentida com a separação, travou com ele uma verdadeira batalha judicial para tentar impedi-lo de ver as filhas.

Nas manipulações toda a tristeza recai sobre a criança

Essa mulher chegou ao extremo ato de indignidade a ponto de inventar mentiras para impedir que as filhas vissem o pai.

Pouco antes de uma das audiências, ele juntou documentos desmascarando todas as mentiras escabrosas da ex-mulher.

Isso levou a juíza do caso a ficar extremamente irritada com tudo o que ficou sabendo de manipulação que essa mulher ressentida fazia para afastar as filhas do ex-marido.

Nas manipulações toda a tristeza recai sobre a criança

Falta de consciência e de caráter tem que ser combatida com o rigor da lei

Nessa audiência, diante da primeira tentativa daquela mulher de voltar a atacar o marido com as mesmas mentiras, a juíza deu-lhe uma lição que ela nunca deve ter esquecido. Disse a ela que deveria ter vergonha do que estava fazendo, pois é imenso o número de ex-maridos que, após a separação, não querem mais saber dos filhos.

“E você adota esse comportamento vergonhoso, repreendeu a juíza, de tentar afastar suas filhas de um pai zeloso, amoroso e dedicado, que precisa recorrer à Justiça para garantir seu direito de ver as filhas”.

Criança tem quer ser feliz com os pais para se tornar um adulto feliz

Criança tem quer ser feliz para se tornar um adulto feliz em sociedade

Evidentemente, o meu amigo ganhou a causa na Justiça e eu sou testemunha de que ele não marcava nenhum compromisso e até chegava a desmarcar compromissos importantes nos dias em que poderia pegar as meninas para passar ao menos um fim de semana com elas.

Um certo dia ele disse a mim que precisava que eu lhe ensinasse a usar os programas que eu utilizo para construir meus sites e eu lhe disse que isso somente seria possível nos finais de semana.

Isto porque, nos outros dias, eu sempre estava excessivamente ocupado. E ele nunca marcou esse compromisso comigo porque ver as filhas era o compromisso do qual ele não abria mão em nenhuma hipótese nos finais de semana.

Covardia com crianças tem que ser repudiada por toda a sociedade

Covardia com crianças tem que ser rigorosamente repudiada por todos

Veio-me à lembrança esse episódio em um dia em que li o noticiário sobre várias crianças que sofrem com as maldades e manipulações de adultos sem a menor dignidade. 

Nas separações conjugais, são mais comuns do que se  pensa os casos de adultos que fazem todo tipo de chantagem covarde como vingança pela separação.

Da mesma forma, são comuns, e extremamente revoltantes, os casos de crianças que são maltratadas, espancadas e até mesmo mortas pela atitude verdadeiramente repulsiva e indigna de muitos adultos.

Mito de que castigo físico seria forma de educar é invenção de sociedade cruel

Como pai eu sempre me voltei publicamente contrário, de forma enfática, ao discurso absurdo que parte da sociedade sustenta, de que castigo físico seria uma forma de educar.

Certa vez, também como jornalista, eu publiquei uma extensa matéria em uma revista da qual eu era editor-chefe, sobre o projeto de outro amigo meu que havia estruturado uma engenhosa forma de impedir que pais que espancam os filhos, muitas vezes até a morte, permanecessem impunes.

Ao entrevistá-lo para escrever a matéria, ele me explicou que essas pessoas que espancam os filhos recorrem à estratégia indigna de levarem sempre a atendimentos de emergência em hospitais diferentes alegando que as crianças haviam sofrido uma queda em casa. Essa seria a razão, segundo esses verdadeiros animais irracionais, de aquelas crianças estarem em estado físico tão lamentável. Muitas vezes, repito, à beira da morte. E havia casos até em que as crianças vinham efetivamente a falecer.

Tecnologia a serviço da máxima de que crianças e adultos merecem felicidade

Tecnologia tem que ser colocada a serviço da proteção e da felicidade na infância

O projeto dele consistia em criar uma estrutura completa, valendo-se da informática, que permitiria o cadastramento, nas delegacias de polícia e nas unidades de atendimento emergencial dos hospitais, de todos os atendimentos hospitalares solicitados por pessoas que levavam os filhos com graves ferimentos sempre sob a alegação de que tais crianças haviam sofrido uma queda.

Conscientes de que poderiam ser desmascarados caso recorressem às mesmas unidades hospitalares, apresentando sempre a mesma alegação, esses verdadeiros monstros espancadores de crianças recorriam a hospitais diferentes, a cada nova ocorrência. 

sistema tem que garantir que criança seja feliz para se tornar adulto feliz

Criança quer sempre ser feliz para se tornar um adulto feliz.

Mas crápulas muitas vezes impedem

O projeto elaborado por esse meu amigo consistia exatamente em permitir o cruzamento de informações da forma mais ágil possível, de maneira a detectar esses casos de pessoas que levam seguidamente crianças aos hospitais em estado lastimável como consequência de espancamentos.

A mentira sórdida e selvagem passaria a contar, portanto, com um sistema eficaz de cruzamento de informações entre as várias unidades de atendimento hospitalar para identificar todos esses casos.

Faço esse relato até para sugerir que esse sistema seja adotado em todos os Estados brasileiros. Isso se tornaria totalmente factível diante das facilidades proporcionadas hoje pelos meios eletrônicos, em que a informática exerce um valioso papel contra esse tipo de atrocidade.

Criança tem quer ser feliz para garantir sociedade feliz e sadia

Em minha carreira de articulista, já elaborei alguns textos repudiando, de forma veemente, essa verdadeira farsa que se tenta pregar, de que espancar crianças é uma forma de educar.

E sempre serei, enquanto tiver vida, um incansável defensor da infância, tão absurdamente perdida pela ação de monstros de toda espécie que, cometendo tantas indignidades, acabam acarretando a proliferação, na sociedade, de adultos infelizes, frustrados, recalcados e traumatizados.

Sociedade é vítima também dos maus tratos na infância promovidos por desumanos

Sociedade é vítima também dos maus tratos na infância promovidos por desumanos

Vale aqui o alerta de que não são apenas as crianças as vítimas, mas a própria sociedade, que passa a contar, no meio social, com a presença de adultos que, em razão desses traumas de uma infância infeliz, muitas vezes passam a adotar um comportamento anti-social, raivoso e mesmo de ódio.

Crianças felizes tornam-se adultos felizes. É extremamente improvável que se transformem em adultos com comportamento pernicioso ou antissocial.

Criança tem quer ser feliz para se tornar um adulto feliz

Artigo complementar

Violência contra crianças é pregação de adultos cruéis

As pessoas que preceituam surras nos filhos certamente irão contestar que estão errando e não irão admitir que isso não é educar. O absurdo caso noticiado por um jornal, no Distrito Federal,  de mãe que espancou um bebê de 11 meses até a morte é muito mais frequente do que se imagina. E o procedimento dela ao perceber que a criança estava morta também é usual: dizer à polícia que o filho caiu e se machucou.

São casos tão frequentes que, quando eu era editor de uma revista sobre Seguridade Social, publiquei matéria sobre a proposta do engenheiro paulista Paulo Bergamo em que ele estabelecia a necessidade de interligação entre as delegacias de polícia de modo a detectar esses casos.

Paulo Bérgamo, que é meu amigo pessoal, está atualmente nos Estados Unidos, onde brilha com a exposição de seu conhecimento como profissional respeitado, e não sei em que pé anda essa sua proposta. Tomara esteja sendo amplamente implantada, mas tenho minhas dúvidas, porque se sabe o descaso com que matérias dessa importância são tratadas no Brasil.

O procedimento sugerido por ele é demasiadamente simples: cada vez que uma mãe ou um pai chega a uma delegacia com esse tipo de alegação (a criança caiu), faz-se uma verificação sobre se não há reincidência. Sim, porque essas crianças são vítimas do mesmo crime por várias vezes, pelas mesmas pessoas. Ou seja, a criança é espancada continuamente, até que um dia ocorre a fatalidade: a morte. E os pais costumam recorrer a delegacias diferentes para tentarem escapar das punições a eles próprios em decorrência dos seus atos de extrema covardia.

Ora, não se venha com a alegação de que isso é diferente da pregação de se educar os filhos com pancadas. As manifestações desse tipo tendem a generalizar o entendimento (inaceitável) de que surras levariam os filhos a se tornarem pessoas corretas e educadas, e que isso impediria que essas crianças se marginalizassem.

Total aberração. É o mesmo que dizer que os marginais de hoje nunca apanharam e que sempre foram educados com carinho. Surra nunca foi uma forma de educar. Surra é suposta educação somente por parte de quem não tem força moral para educar os filhos, porque essas próprias pessoas não são dotadas de preceitos morais para gerirem suas próprias vidas.

A cada vez que se apregoa esse tipo de procedimento, aumenta a sensação, por parte de pais e mães que não sabem educar (a grande maioria), de que podem se abster de culpa ao espancar os filhos.

Não se quer aqui dizer que as crianças devem ser educadas sem limites, fazendo o que quiserem. Óbvio que não. Mas educar é totalmente diferente de surrar, porque há inúmeras formas de se impor limites.

A violência contra crianças, como de resto boa parte de qualquer violência, é resultado, inúmeras vezes, da tensão de situações que levam as pessoas a extravasarem nos seus comportamentos. E se, já como premissa, preceitua-se surra nos filhos, gera-se, adicionalmente, a cultura da violência. E disso a sociedade e o mundo já estão fartos.

É importante observar que as pessoas que, muitas vezes, condenam violência contra adultos, são as mesmas que defendem violência contra crianças como forma de pretensa educação.

Ora, do mesmo jeito que jamais se poderia concluir que um marginal nunca apanhou dos pais na infância e por isso se tornou marginal, certamente jamais poderia se concluir que uma criança educada conforme os preceitos corretos, com atenção, carinho, imposição de limites sem violência física, irá se transformar num marginal.

Quem espanca os filhos não está educando, está simplesmente perdendo a paciência. E se absorve a cultura da violência, tanto mais estará disposta a espancar os filhos, sob a influência dessa nefasta pregação de que isso seria correto e admissível. Defendem leis para proteger adultos da violência (o que é legítimo), mas não as crianças. Isso sim, é o ápice da covardia.

Há ainda quem, sem a menor cultura ou conhecimento das coisas, torce o nariz para tudo o que diga respeito a preceitos psicológicos. A Psicologia, como qualquer ensinamento ou aprendizado humano, está sujeita a eventuais enganos de interpretação. Mas, certamente, são enganos corrigíveis e extremamente menos danosos do que a violência praticada contra crianças, que se alastra em dimensão preocupante.

As pessoas, de um modo geral, preceituam para si mesmas a necessidade de fazerem cursos e de frequentarem universidades. Mas nunca reconhecem sua própria ignorância e a necessidade de fazerem um curso para aprenderem a educar seus próprios filhos, já que não têm muitas vezes a menor noção de como educar.

Seria extremamente positivo que tivessem a humildade de reconhecer isso e se especializarem, antes de tudo, na ciência de educar crianças. Pois ela existe, e é altamente benéfica, não só para as crianças, como para o futuro da humanidade.

(Texto escrito há cerca de uma década, sobre um caso ocorrido em Brasília, DF)      

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