Carinho ou porrada: o que você prefere?

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O título parece esquisito e a resposta parece óbvia, mas leia até o final que você vai ver que tem todo o sentido.

Eu vou falar de um assunto que anda meio esquecido e até meio desacreditado por certos segmentos. Mas fique atento e atenta porque você vai perceber em poucos minutos que isso que eu vou falar pode influenciar na sua vida amorosa, emocional e inclusive na sua vida conjugal, se você estiver casado ou casada.

Eu não sei se você conhece Wilhelm Reich. Daqui a pouco eu explico quem é, para quem não conhece ficar sabendo.

O importante agora é o seguinte: Reich dizia que a pessoa nasce pura, sem bloqueios, e na medida em que vai sendo maltratada pela vida, em que vai sendo reprimida, ou maltratada até pelos próprios pais, vai adquirindo placas, carcaças, que tornam essa pessoa insensível. Vamos explicar os efeitos disso daqui a pouco.

Mas antes deixa eu te explicar rapidamente quem foi Wilhelm Reich. Ele foi um médico e psicanalista, discípulo de Freud, de quem começou a divergir depois de algum tempo. Reich nasceu numa pequena aldeia da Galícia, no local que seria hoje o noroeste da Ucrânia.

(Assista ao vídeo ou continue lendo logo a seguir. Observação: em algumas postagens, o texto é mais detalhado do que o vídeo)

Reich é uma figura controvertida, e muitas de suas teorias, consideradas radicais para a época, o levaram à prisão e foram distorcidas ao longo do tempo por vários autores.

Portanto, meu objetivo aqui não é analisar a vida de Reich nem fazer a avaliação sobre a qualidade da sua obra, mas apenas fazer um paralelo com o tema que estamos abordando. De qualquer modo, a vida dele é tão cheia de fatos inacreditáveis que valeria a pena você pesquisar e ler um pouco.

Pois bem, essas placas ou essas carcaças (eu nem me lembro como ele chamava isso, pois li Reich há muitas décadas) essas placas, vamos chamar assim, vão surgindo como proteção ou defesa do indivíduo às agruras da vida e à forma como ele é tratado especialmente na fase da vida em que o caráter e a sexualidade dessa pessoa estão se formando. Com isso, ele vai se tornando uma pessoa insensível.

É como se a pessoa passasse a vestir aos poucos uma armadura, com as peças sendo colocadas aos poucos, para tentar se proteger dessas porradas da vida. Mas, calma, ainda não é dessa porrada que eu estou falando no título.

Você já percebeu como algumas pessoas sentem dificuldade em abraçar e em serem abraçadas? É como se existisse sempre uma barreira entre essa pessoa e quem está convivendo com ela.

E quando essas pessoas abraçam ou são abraçadas, normalmente é um abraço tenso, a pessoa chega a ficar com o corpo meio duro, ou até fazem de conta que estão te abraçando mas nem encostam direito em você.

Isso acontece muito em alguns países em que as pessoas inclusive não são tidas como muito “dadas”, muito receptivas a abraços e carinhos. E no Brasil até se diz que, ao contrário do que você vê como perfil das pessoas em alguns países da Europa, por exemplo, as pessoas aqui são mais afetuosas e se abraçam com mais facilidade. Ou seja: são menos frias.

Mas mesmo assim nem sempre isso acontece. Muita gente no Brasil tem dificuldade de abraçar e de ser abraçada… E de receber e dar carinho, então, nem se fala!!!

E tantas vezes encaram o sexo como algo diferente de carinho, de coisa boa, de coisa agradável ou prazerosa.

E muitas relações humanas, relações de afetividade, relações conjugais, são afetadas por isso. Muito mais do que muita gente imagina.

Como eu disse, Reich era uma pessoa controvertida. Mas uma coisa é certa: ele sempre pensava muito além do seu tempo. Em 1942, numa época em que a sexualidade era rodeada de muito mais tabus do que hoje, ele publicou o livro A Função do Orgasmo, que veio a se tornar a sua obra mais conhecida, falando do orgasmo feminino quando ninguém ousava falar nesse assunto.

E ele considerava que o perfil psicológico da pessoa, falando assim numa linguagem mais leiga e fácil de entender, era moldado pela sexualidade dessa pessoa, desde os primeiros anos de vida. Por isso, sempre combateu a educação repressiva e sempre descreveu como processo natural do desenvolvimento do ser humano o direito à descoberta do corpo como fonte de prazer, o que normalmente começa a surgir na infância, exatamente quando a criança começa a ser reprimida por tocar em algumas partes do corpo e por sentir prazer em se tocar.

Mas a criança na verdade o que está descobrindo é que algumas partes do corpo proporcionam prazer quando são tocadas, ou seja, um processo natural, segundo Reich. São as chamadas zonas erógenas do corpo. E tem criança que até leva surra por causa disso. E mesmo com coisas desse tipo querem que a gente tenha uma sociedade sadia.

E agora vamos à parte conjugal e afetiva, de relacionamento humano, que são as questões que nos interessam estudar e pesquisar tanto no site como no canal Recado Secreto.

Muita gente acha que o amor é fundamental para que um casamento dure. Mas o amor é um sentimento abstrato, tanto que a frase “Eu te amo” às vezes é dita com muita facilidade e até, em alguns casos, é banalizada e dita a uma pessoa que às vezes a gente nem ama, mas apenas gosta daquela pessoa.

Quantas vezes você já se viu nesse dilema? Você olha pra pessoa e pergunta pra si mesmo: eu gosto tanto dessa pessoa, mas será que eu a amo???

Porque o amor é um sentimento tão abstrato que às vezes é até difícil de identificar e até de definir.

Já o carinho, não. É um sentimento mais real, mais objetivo. É muito mais fácil identificar se um gesto de carinho é verdadeiro ou não, se é sincero ou não. Porque é isso: não é um conceito, é um gesto. É uma atitude. Ou várias atitudes … que demonstram se aquele é ou não um carinho verdadeiro.

E ele é de importância fundamental numa relação a dois. Uma relação sem carinho normalmente não se mantém por muito tempo. E o pior: se esse carinho não for correspondido, você pode até deixar de sentir carinho por essa pessoa. Porque você sente muito carinho por ela, mas nota que ela não sente por você. Nota que essa pessoa é fria, distante, indiferente. Ou é fingida. Porque o que seria um suposto gesto de carinho não dura muito, acaba sendo identificado como algo falso, acaba sendo desmascarado.

E aí surgem de novo aquelas placas, aquelas carcaças, aquelas proteções de que nos fala Wilhelm Reich. Você vai criando placas, carcaças, tentando não ficar muito pra baixo, tentando não sofrer com aquela frieza, com aquela indiferença, com aquela falta de carinho daquela pessoa, com tanto fora que você leva, tanta falta de sentimento ou com tanta porrada que levou dela, e olha aí a porrada a que eu estava me referindo, uma porrada até mais forte, uma porrada moral, emocional, de ausência de afeto, que se você não se cuidar derruba sua autoestima.

E para se proteger, você acaba se tornando outra pessoa naquela relação. Vai se afastando, o seu carinho também pode ir se enfraquecendo e pode até morrer, se extinguir, para você se proteger, para você deixar de sentir tristeza e deixar de sentir tanta falta daquela pessoa.

Agora me responda: carinho é ou não importante numa relação a dois?

Tá vendo como Wilhelm Rich tinha razão?

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