O orgasmo feminino e os seus mistérios

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O austríaco Sigmund Freud, que viveu de 1856 a 1939, considerado o pai da Psicanálise, e o austro-hungaro Wilhelm Reich (1897/1957), que tentou sua primeira intimidade erótica com uma criada aos quatro anos de idade, e aos onze anos e meio teve sua primeira relação sexual com a cozinheira de sua casa, eram profundos estudiosos da sexualidade. Reich lançou em 1942 a primeira edição em inglês de A Função do Orgasmo, uma de suas polêmicas obras. Embora tenham estudado a sexualidade humana e o orgasmo muito antes de a maioria de nós termos nascido, a passagem de todos esses anos e a infinidade de estudos que se sucederam com base em muitas de suas teorias e descobertas ainda não foram capazes de desvendar todos os mistérios do orgasmo feminino, essa incógnita na cabeça dos homens que tanta insegurança traz à cabeça das mulheres. Ou de ambos.

A penumbra que ainda paira sobre a questão leva boa parte dos psicólogos e teóricos a recomendarem que, por conta disso, as mulheres deixem de lado aquilo que acaba sendo uma das razões da dificuldade em atingirem o orgasmo: a cobrança. Busquem o prazer, sem a cobrança de sentirem o orgasmo, que acabará vindo, embora muitas delas possam até não conseguir identificá-lo.

No caso da vida sexual dos homens o dilema é quase inexistente por razões históricas, culturais e até mesmo orgânicas. Em que pese a revolução sexual, a liberação da mulher, a revolução dos costumes e toda a liberalização dos meios de comunicação, a mulher ainda traz uma bagagem maior de preconceitos e de tabus em sua educação. No caso dos homens, a ejaculação é identificada com o orgasmo. Vem aí uma contradição imposta pela natureza: embora o orgasmo masculino seja mais fácil, ele dura menos, enquanto nas mulheres, além do maior tempo de duração, haja a possibilidade dos chamados orgasmos múltiplos. É a vingancinha da natureza: os homens o atingem mais rapidamente e com mais facilidade, mas o clímax do prazer diretamente relacionado à ocorrência do orgasmo dura pouquíssimos segundos. As mulheres (pelo menos a maioria) demoram mais a atingi-lo, mas ele é mais duradouro e ainda pode se multiplicar seguidamente, ocorrendo os chamados orgasmos múltiplos.   


orgasmo feminino

Estudos já dimensionaram essas diferenças. O orgasmo feminino tende a durar em média de 10 a 23 segundos, enquanto o orgasmo masculino atinge a média de 6 segundos. Segundo esses mesmos estudos científicos, é da mulher essa já mencionada exclusiva capacidade de sentir orgasmos múltiplos ou ininterruptos, enquanto no caso dos homens verifica-se o chamado período refratário, que vem a ser a necessidade de relaxamento para reiniciar a atividade sexual. A duração desse relaxamento depende da idade, havendo maior possibilidade de ser mais curto no caso dos homens jovens, pela óbvia condição orgânica de estarem com os hormônios em nível mais elevado, a menos que padeçam de algum mal relacionado à saúde.

Toda a revolução dos costumes ainda não foi capaz de eliminar totalmente a dificuldade da mulher de atingir o orgasmo ainda como resultado da história de repressão feminina. Há quem ainda associe o sexo à noção de pecado, o que inclui a masturbação, embora muitos terapeutas considerem a prática masturbatória como um recurso que permite à mulher conhecer melhor o seu corpo e, assim, facilitar o orgasmo. Além desse fator mais relacionado ao histórico de vivências da mulher, podem influenciar também na dificuldade de alcançar o orgasmo as variações hormonais, a menopausa, a tensão pré menstrual, situações de stress e até mesmo as fobias (medos). A própria angústia e a preocupação da mulher em atingir o orgasmo, muitas vezes para satisfazer o parceiro, podem se constituir num fator que gera a dificuldade. Por isso mesmo, conforme preceituam sexólogos, terapeutas e estudiosos, não se pode gerar expectativa demasiada, pois o orgasmo não pode ser “planejado”. Ele acontece naturalmente, razão pela qual, durante o ato, a mulher deve cuidar mais de se entregar no momento da relação para alcançar o clímax.

Derrubando mitos e preconceitos

Apesar de todos os mitos e dificuldades, que não devem gerar tensão, a mulher precisa estar disposta a observar algumas questões importantes. Uma delas é, conforme já se frisou, o conhecimento do próprio corpo. Em decorrência de uma educação muito rígida, muitas mulheres não conhecem o seu próprio corpo e até atribuem aos seus órgãos genitais a ideia de “sujeira”, o que evidentemente é fora de propósito, pois a genitália, como qualquer parte do corpo humano, somente não estará limpa se os hábitos higiênicos não forem adequados. Neste caso, qualquer parte do corpo pode se tornar “suja”. Ocorre que, em termos de sexualidade, essa “sujeira” é mais relacionada a fatores psicológicos e emocionais.



Há outro requisito que funciona como um bálsamo para essas situações: o diálogo com o parceiro. É verdade que isso depende do parceiro: homens esclarecidos, sem recalques e sem preconceitos estão dispostos a prestar uma grande colaboração. No entanto, há homens que, devido aos seus próprios bloqueios, atribuem qualquer dificuldade da mulher a uma suposta rejeição a ele próprio, quando na verdade essa dificuldade pode ter origens às vezes até remotas no histórico de vida da mulher.

A melhor opção é tornar esse diálogo uma conversa leve e mesmo bem humorada, pois a confiança entre os parceiros é um requisito de muita importância para a mulher e, em muitos casos, obviamente, também para o homem. Outro fator importante são as preliminares. Muitos homens descuidam desse quesito, partindo logo para a penetração, quando a mulher não está preparada. (Isto sem contar outra questão que afeta os homens em muitos casos: a ejaculação precoce, que causa frustração nas mulheres, e que será tema de um dos nossos próximos artigos.)

Intimidade, parceria, diálogo, compreensão e afeição muitas vezes revelam-se tão ou mais importantes do que o próprio desejo, que, com essas preliminares e atenções, pode surgir com muito mais intensidade tanto nos homens como nas mulheres.



2 comentários em “O orgasmo feminino e os seus mistérios

  • 24/03/2016 em 231120
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    Olá,

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    Att, Antonio

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    • 26/03/2016 em 230920
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      Muito obrigado, Antônio. Vamos manter contato. Sucesso!

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